A internet foi um grande avanço para todos nós e faz o mundo andar a passos cada vez mais rápidos e surpreendentes. Mas, ao mesmo tempo em que a World Wide Web nos trouxe um número incontável de vantagens, também nos trouxe alguns problemas. Um deles é dar voz a quem propaga mentiras, ou ainda, informações que ainda não são comprovadamente verdadeiras.

Na medicina brasileira isso também é um grande problema. As pessoas do nosso país já tem um péssimo hábito de se auto-medicar sem antes consultar um especialista. Agora que encontramos todos os dias informações divulgadas cujos fundamentos científicos são questionáveis em sites, blogs e redes sociais ficou mais fácil de se enganar com falsos depoimentos, relatos e até afirmações. Como se não bastasse, também vemos campanhas contrárias a tratamentos consagrados, como contra à necessidade do controle do colesterol, por exemplo.

Recentemente a American Heart Association publicou um artigo fortemente baseado em evidências científicas, em que condena novamente o consumo de gorduras saturadas. Imediatamente, diversas pessoas começaram a criticar a AHA nas redes sociais, porém sem fundamento científico nenhum.

Este é o grande problema de acreditar em tudo que se lê nas redes sociais hoje em dia, seja o conteúdo divulgado por pessoas  ou por instituições. Como sabemos o que faz o dono destes perfis que comentam sobre assuntos ligados a medicina? Como saber se são realmente pessoas com profundo conhecimento sobre o assunto? É simples, faça sua própria pesquisa, cheque a informação em diferentes mídias e tire sua própria conclusão.

O número de seguidores também pode ser um indicador enganador de credibilidade. Uma página com milhares de seguidores infelizmente ganha mais credibilidade científica entre leigos, do que muitos cientistas magníficos que estão no anonimato. Muitos destes perfis atingiram marcas tão expressivas por utilizarem uma linguagem fácil, um tom amigável e muita estratégia de comunicação, para se criar um laço emocional com seus seguidores. Mas isso não muda a essência do problema: a informação sem qualidade.

Nesta nova realidade, médicos sérios e sociedades médicas estão bem atrás e precisam se coçar, caso queiram tomar seu lugar e conquistar a confiança destes usuários, que inocentemente estão em busca da melhor informação e acabam sendo fisgados por estes charlatões. Enquanto a AHA continuar a falar para as pessoas através de seus periódicos, em linguagem técnica, pessoas incapacitadas continuarão a dizer o que acharem mais conveniente, quando não, o que atrair mais clientes.